O fim da primeira pele, camada grossa, transparente, plástica, resistente e feita para defender, não para pensar. É o fim do fim, de uma sucessão de ruínas, escombros, ruídos e fins. Solo de começo e afins. Fértil de mim, de dentro de mim, solo EU. É o sol batendo na pele nova, porosa de canais ligados a humano-transmissores. Sangrando sentimento. É a vida batendo na carne. Viver assim é osso.
"Todas as noites são perfeitas se ao final temos o que lembrar ou as usamos para ilustrar experiências. São perfeitas porque não são iguais."
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Acorde, William
Músicas acústicas lentamente embalavam os movimentos de ambos. Entre distantes sons ocos e ritmados os corpos cochichavam segredos através de tímidos gemidos e arquejos. Tudo amiúde. A cama não tinha fim, tudo era cama. No entorno, roupas espalhadas, tons de marrom, verde, brincos de madeira. Tudo exalava cheiro de canela. Amálgama com o suor de seus corpos.
De repente tudo some, acorda na cama vazia, vai até a cozinha, pega um café, cruza a sala e se debruça na sacada. Pensa consigo que aquilo nem tem gosto de café, se pergunta se já provou realmente o gosto de café, não se pode confiar no que já nos vem pronto. Olha para baixo, não quer focar em nada e só uma frase ecoa naquele silêncio:
Agora é que estou tendo um pesadelo.
terça-feira, 26 de julho de 2011
Baú Aberto
Eu te quero
Tanto que me desespero.
Eu te amo
E é tão sério que duvido
Que haja aqui,
Ou em qualquer outro hemisfério
Um amor maior
Alguém que sinta mais saudade
Na distância entre nós.
Nossas vidas
Nossos planos e desejos
Se cruzaram por apenas um segundo.
O bastante pra que ele fosse eterno
E transformasse meu amor no maior do mundo
20/10/03
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Baú Aberto
E Agora
E agora tudo são imagens
Apenas imagens.
Sem nexo
Sem sentido
É inverno...
Mas não faz frio,
Não tem o vento
Que nos espreme no caminho
E agora estou sozinho
Largado à solidão
Estou morrendo
Me afogando em depressão
Por sua causa estou assim,
Volta pra mim.
Vem que eu estou só.
As lembranças viram pó.
E agora...
Sou eu
E só...
08/08/03
terça-feira, 19 de julho de 2011
Baú Aberto
Vazio do mundo
Tardes de agosto
Tardes tristes de inverno.
Final da estação.
A essas horas da tarde
Verdes folhas tangenciadas
Pela leve claridade
Folhas descoloridas
Caem, lágrimas
Das árvores.
O vento as agita
Melodiando uma sonata.
Falta alguém.
Para dar beleza à paisagem
Sentindo à minha vida
E tom a essa miragem.
03/08/03
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Baú Aberto
Noite escura.
No inverno
Corre o vento,
De julho.
A noite é fria,
Vejo o coqueiro esmaecer
Tu vieste me ver
Como eu queria.
A rajada de vento
Arde o osso
Não ter-te perto
Dói por dentro
O vento sacode as árvores.
Penteia as palmeiras,
Seca a roupa.
Aperta os namorados,
Toda carícia é pouca.
Você sacode meus desejos
Embaraça o meu cabelo.
Sinto o lábio apertar-se
E rompe o intenso azul do céu
Ou meu coração, feito em papel
Com a mesma delicadeza e brilho
Como brilhas em Lua, meu símbolo.
Quisera poder levitar
Para me saciar de tua beleza
Que as nuvens se afastam
Pra contemplar.
15/07/03