terça-feira, 30 de agosto de 2011

Acorde, William

Músicas acústicas lentamente embalavam os movimentos de ambos. Entre distantes sons ocos e ritmados os corpos cochichavam segredos através de tímidos gemidos e arquejos. Tudo amiúde. A cama não tinha fim, tudo era cama. No entorno, roupas espalhadas, tons de marrom, verde, brincos de madeira. Tudo exalava cheiro de canela. Amálgama com o suor de seus corpos.

De repente tudo some, acorda na cama vazia, vai até a cozinha, pega um café, cruza a sala e se debruça na sacada. Pensa consigo que aquilo nem tem gosto de café, se pergunta se já provou realmente o gosto de café, não se pode confiar no que já nos vem pronto. Olha para baixo, não quer focar em nada e só uma frase ecoa naquele silêncio:

Agora é que estou tendo um pesadelo.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Baú Aberto

Eu te quero

Tanto que me desespero.

Eu te amo

E é tão sério que duvido

Que haja aqui,

Ou em qualquer outro hemisfério

Um amor maior

Alguém que sinta mais saudade

Na distância entre nós.


Nossas vidas

Nossos planos e desejos

Se cruzaram por apenas um segundo.

O bastante pra que ele fosse eterno

E transformasse meu amor no maior do mundo

20/10/03

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Baú Aberto

E Agora


E agora tudo são imagens

Apenas imagens.

Sem nexo

Sem sentido


É inverno...

Mas não faz frio,

Não tem o vento

Que nos espreme no caminho


E agora estou sozinho

Largado à solidão

Estou morrendo

Me afogando em depressão


Por sua causa estou assim,

Volta pra mim.

Vem que eu estou só.

As lembranças viram pó.


E agora...

Sou eu

E só...

08/08/03

terça-feira, 19 de julho de 2011

Baú Aberto

Vazio do mundo


Tardes de agosto

Tardes tristes de inverno.

Final da estação.


A essas horas da tarde

Verdes folhas tangenciadas

Pela leve claridade


Folhas descoloridas

Caem, lágrimas

Das árvores.

O vento as agita

Melodiando uma sonata.


Falta alguém.

Para dar beleza à paisagem

Sentindo à minha vida

E tom a essa miragem.

03/08/03

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Baú Aberto


Noite escura.

No inverno

Corre o vento,

De julho.


A noite é fria,

Vejo o coqueiro esmaecer

Tu vieste me ver

Como eu queria.


A rajada de vento

Arde o osso

Não ter-te perto

Dói por dentro


O vento sacode as árvores.

Penteia as palmeiras,

Seca a roupa.

Aperta os namorados,

Toda carícia é pouca.


Você sacode meus desejos

Embaraça o meu cabelo.

Sinto o lábio apertar-se


E rompe o intenso azul do céu

Ou meu coração, feito em papel

Com a mesma delicadeza e brilho

Como brilhas em Lua, meu símbolo.


Quisera poder levitar

Para me saciar de tua beleza

Que as nuvens se afastam

Pra contemplar.

15/07/03

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Sem Tempo

Algumas semanas atrás me pediram para fazer num cartaz a Casa que eu sou, e ela ficou uma bagunça, está rachada, com vários estilhaços voando para todo lado e muitas lembranças, quadros antigos e visual retrô. Estes dias li numa frase que arrependimento é o passado atrapalhando o presente... Tem passado demais na minha Casa, tá parecendo um museu.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Às Vezes


Dia nublado e cansativo, agora começo da madrugada. Textos na tela do monitor, uma das músicas que só eu gosto de bandas que ninguém conhece rompe lentamente o silêncio da casa no escuro. Lá fora o véu tímido resolveu virar uma chuvinha de verdade... às vezes acho que solidão é não ter alguém para dividir uma noite de chuva.