"Todas as noites são perfeitas se ao final temos o que lembrar ou as usamos para ilustrar experiências. São perfeitas porque não são iguais."
sábado, 28 de agosto de 2010
Do Arrebol.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Das coisas que eu não sei
Sei que o amor é perto
É feio, forte
Quando dura um tempo.
Enquanto queima a lágrima
É que se pode sentir
Sei que o amor é prego
É um inferno amarelo
Dá carinho e maltrata
Pra viciar e deprimir
Que esmaga com martelo
Os pés de quem ama
Para nunca mais fugir.
Que cega ambos os fantoches
Para que não vejam logo ali.
Sei que o amor eterno
É quase terno
Se não fosse pelo vício
De não querer se dissolver.
É terno e gravata atirados
Cuidadosamente sobre a paixão
Numa cama de verão.
Sei que o amor canalha
É feito corte de navalha
Que não livra a ninguém
Mas é gostoso e lhe cai bem
segunda-feira, 28 de junho de 2010
domingo, 27 de junho de 2010
sábado, 26 de junho de 2010
PAI

"Nos deram espelhos e vimos um mundo doente."
segunda-feira, 1 de março de 2010
Hoje Sim
Hoje eu quero ficar em casa, hoje eu quero ficar na Minha casa. Na casa em mim. Eu quero poder sentir um momento de calmaria aqui dentro, em meio a tudo, e depois de tantas transformações que já se passaram e vendo as que virão, existe o eu. Hoje eu quero deixar todas as partículas se assentarem em mim, e que elas façam seu trabalho. Hoje eu não vou me mover bruscamente. Hoje eu quero ver lentamente algum brilho até na passividade, no deixar acontecer. Hoje eu quero aprender a deixar acontecer. Hoje eu quero observar o último azul do fim da tarde e lembrar de tempos onde eu ainda não sabia que era feliz. Não que isto seja um tributo ao meu passado, uma recordação melancólica, mas por ser uma coisa boa e simples. Eu olho lá para fora pela janela e vejo a chuva fina e sem trégua de uma tarde cinzenta, e me pergunto se junto com ela mais coisas caem. O que trazem estas gotas? O que elas lavam? O que elas deixam em mim? Hoje eu quero estar só em mim.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Hoje Não
Ando inconformado com minha improdutividade: Ainda que eu queira, ainda que eu procure um uma situação, uma possibilidade, um clima (se é que é possível mesmo procurar o clima de uma criação; talvez ele simplesmente se faça e surja), a sensação é muitas vezes de insuficiência. Não basta o silêncio, não bastam as músicas, não bastam as leituras, nem as imagens, não basta o escuro. Nada basta. Tudo mudo. Há vezes em que só consigo topar com boas frases ou fragmentos de textos quando converso despreparadamente. Ainda não sei por que diabos eles me somem quando os planejo. Basta direcionar minha atenção, abrir o documento de textos e eles fogem deixando meus dedos gelados. Não desisto fácil. Fico de tocaia. Espreito-os sorrateiramente e tento me fundir na penumbra, respiro devagar, fico imóvel. Mas eles não vêm. Então finjo descaso, faço que vou embora e dou as costas cuidando que não percebam meu olhar de soslaio. Dou alguns passos e os rondo novamente. Ao que reaparecem e se aglomeram os pequenos fragmentos, lá os vejo à minha frente formando uma pequena pilha cinza e multicolorida de pétalas e plumas. Continuo sob um filete de despreocupação e rastejo para o lado, calculo a distância e de repente avanço impulsivamente sobre eles, mas eis que novamente todos me escapam esvoaçando na brisa de leveza. Só me resta esperar. É estranho e poético ficar à mercê do que vou criar. Mas quem disse que a poesia também não causa estranhamento? Se assim vem, sem dar tempo de descobrir, vem de repente fazendo só sentir, sentir, sentir... E repetir o que se sente até ficar dormente.


